domingo, 22 de novembro de 2015



      COR AZUL E MATURIDADE (?)


       Quando era mais jovem, na faculdade de Medicina, passei por um período "Gótico", em que usava apenas saia, bota coturno e, invariavelmente, preto. Era o início da década de 90 e essa atitude um tanto irreverente ocultava, na verdade, o meu estado emocional instável de uma jovem na casa dos 20 anos. Hoje, depois dos "enta", surpreendo-me em ter a cor azul como a minha preferida e, conversando com uma amiga psiquiatra descobri que as cores, na verdade, tem um significado psicológico, bem como a preferência por alguma. No caso da azul, revela uma personalidade equilibrada em uma pessoa moderada, às vezes um pouco retrógrada, não muito aberta a mudanças radicais nem a extremos de comportamento, da paz, tranquila e confiável. Bem, parece uma descrição minha. 
         É diferente interpretar o que nos diz uma cor, ou a vestimenta ou ainda o passado de uma pessoa do ponto de vista psicológico e do esotérico. Não sou adepta de ocultismo, então me interesso pelos aspectos mentais das atitudes das pessoas, o que pude comprovar em mim, podem mudar e muito com o tempo e com as circunstâncias às quais alguém foi submetido. Um exemplo que vejo com frequência é como alguém muda sua maneira de pensar após uma cirurgia plástica: a mulher que coloca silicone parece adquirir "mais peito" para enfrentar as dificuldades. A roupa, que citei antes, é um retrato da alma: alguém que usa, por opção, peças de alfaiataria é muito mais rígido em suas crenças e conceitos, o que não é necessariamente ruim, do que outro que um fashionista, que pode ser o oposto, sem ideias consagradas dentro de si. 
       De qualquer forma, o amadurecimento, a maternidade, a vida profissional promovem transformações: mudamos o corte ou a cor do cabelo, trocamos a mini saia pela pantalona e o esmalte colorido pelo incolor ou o vermelho. Algo, no entanto, que me parece constante e congelado no tempo é o gosto musical. Dificilmente vejo uma pessoa de 50 anos escutar as músicas dos jovens, ela sempre citará cantores de sua faixa etária ou que estiveram em voga quando tinha em torno de 20, como se o início da vida fixasse em nós algum sentimento jovial que durará para sempre. Bom Domingo!